UE e poluição: planos para um paradigma perdido?

 

Parece que a Comissão Europeia pode recuar nos planos anunciados há cerca de duas semanas sobre a redução de gases de efeito estufa em 20% até 2020. A BBC noticia hoje que o anúncio de duas medidas para essa redução foi adiado porque ainda não se chegou a um consenso entre os vários comissários europeus.

Motivos: há dois. Primeiro, para reduzir a emissão de gases poluentes por causa dos carros, é necessário ‘pedir’ às indústrias que construam veículos menos poluentes. Segundo, é preciso negociar com a indústria petrolífera a diminuição dos gases de efeito estufa durante a produção de combustíveis.

Tendo em conta os altos interesses em jogo e o poder destas duas indústrias, ao que parece a Comissão está reticente em avançar já com o anúncio de medidas que concretizem a intenção de reduzir a poluição em 20% até 2020.

A informação completa, com gráficos sobre como reduzir a potência dos automóveis para diminuir a poluição, na BBC.

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As palavras do State of the Union – Muito bom

Um gráfico que contabiliza as principais palavras – conceitos usados por George W. Bush no State of the Union de ontem, comparando com os discursos de anos anteriores (desde 2001). Muito bom pra quem gosta de perceber as ideias centrais destas coisas… (deviam ter feito isto na altura da minha tese, dava jeito… hehehe :D )
http://www.nytimes.com/ref/washington/20070123_STATEOFUNION.html

State of the Nation – preview do discurso de Bush

[Sim, podem dizer que aproveitei as horas de insónia para desancar nos líderes mundiais... who cares?! It's true! :D ]

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Parece que é hoje que George W. Bush dirige-se aos EUA no tradicional discurso do presidente que acontece todos os anos, o State of the Nation (Estado da Nação).

O discurso ainda não começou (está marcado para as 21h de Washington do dia 23/01), mas andava eu a deambular pelos media internacionais quando dei de caras com um artigo do Washington Post que adiantava alguns excertos do que vai ser a comunicação de Bush para a noite.

Vejamos bem o que o presidente reserva sobre a ‘guerra contra o terrorismo’ e o Iraque, e já agora sobre a energia:

  • “The war on terror we fight today is a generational struggle that will continue long after you and I have turned our duties over to others. That is why it is important to work together so our Nation can see this great effort through. Both parties and both branches should work in close consultation. And this is why I propose to establish a special advisory council on the war on terror, made up of leaders in Congress from both political parties. We will share ideas for how to position America to meet every challenge that confronts us. And we will show our enemies abroad that we are united in the goal of victory.” — Já houve umas quantas comissões e grupos de estudo americanos para avaliar a situação da ‘guerra contra o terror’ e da guerra no Iraque. O último, o relatório Baker, foi divulgado há menos de um mês (se não estou em erro), e para além de ser algo crítico na forma como a guerra na Babilónia está a ser dirigida, propôs uma série de medidas que estão longe de ser acatadas pela administração Bush (redução progressiva das tropas no terreno, fortalecimento do governo iraquiano com diminuição da influência americana, diálogo com a dupla de vizinhos problemáticos da região, Irão e Síria). E agora Bush vem com uma ideia brilhante, formar uma comissão constituída por membros dos dois partidos para avaliar a posição da América face aos seus desafios… É caso para evocar a brilhante prática portuguesa, tão bem representada pelo Gato Fedorento… “Vou formar um comité, para estudar este comité, e ainda uma sub-comissão para controlar o primeiro comité…”.
  • “Extending hope and opportunity depends on a stable supply of energy that keeps America’s economy running and America’s environment clean. For too long our Nation has been dependent on foreign oil. And this dependence leaves us more vulnerable to hostile regimes, and to terrorists – who could cause huge disruptions of oil shipments … raise the price of oil …. and do great harm to our economy. It is in our vital interest to diversify America’s energy supply – and the way forward is through technology.” — Pois, há umas duas semanas a Comissão Europeia afirmou qualquer coisa parecida sobre a UE. Como foi mesmo..?…Ah, pois!, instou os países da União a diminuir em 20% até 2020 a emissão de gases de efeito estufa e a estar na vanguarda da utilização de energias renováveis. Agora vem Bush fazer quase a mesma coisa, ‘arrastado’ pelo comboio europeu. Ao menos é por uma boa causa, ainda bem. E ainda bem que a UE foi a primeira a colocar esta questão no topo da sua agenda… Já é altura de se afirmar em várias áreas do cenário mundial.

Neste exacto momento Buh está prá aí a falar… Não estou a ouvir o que diz, posso sempre ler/ver/ouvir amanha – maravilhas das novas tecnologias… !!! Mas uma coisa pode ser adiantada: em 100% de discurso, 75% serão retórica e 25% verdade… Se não for assim, que a política global dos EUA demonstre o contrário em 2007.

Mais informações sobre o State of The Union em www.washingtonpost.com e http://nytimes.com/ .

Vôos da CIA em Portugal

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Foi hoje divulgado o relatório final da comissão temporária do Parlamento Europeu que investiga os voos da CIA.

Conclusões suscintas:

- Para além das 91 escalas de aviões que supostamente transportavam terroristas para Guantánamo, surgiram mais 17 situações de vôos irregulares da CIA, escalas estas que ainda não foram explicadas ou confirmadas pelo governo português.

- Todos os vôos ocorreram num período de 4 anos, entre 11 de Janeiro de 2002 e 24 de Junho de 2006. Funny thing: durante esse período estiveram à frente do país quatro governos diferentes – 1. PS Guterres, 2. e 3. PSD/CDS-PP Durão Barroso e depois Santana Lopes, 4. PS Sócrates.

- Even more funny: o relatório afirma uma “profunda preocupação” com o número de escalas assinaladas em Portugal e lamenta que as autoridades portuguesas não tenham respondido a todas as questões colocadas pelos eurodeputados, numa clara crítica aos líderes dos governos de então. MAS foi excluída a proposta do deputado italiano Giusto Catania sobre uma referência clara de que o governo de Durão Barroso sabia dos vôos da CIA, não havendo assim no relatório qualquer menção ao ex primeiro-ministro e (curiosamente…) actual presidente da Comissão Europeia.

Isto de trocar São Bento por Bruxelas tem que se lhe diga quanto a vantagens para alguns, não é?!… Ainda não as vi foi chegar aqui ao cantinho português… (e não me venham dizer que o cheque comunitário 2007-2013 [21 mil milhões de euritos] foi obra do nosso cherne!).

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(Imaginem só o que seria dito no tal relatório se esta situação – Durão não ter ficado na UE depois de renunciar ao cargo de 1º ministro português – tivesse acontecido… Ah, pois é…)

Fotojornalismo + interactividade = trabalho brilhante

Uma fotoreportagem interactiva brilhante da Magnum sobre a guerra no Iraque… 5 minutos que valem a pena e levantam a questão: se é assim com os que já lá estão, imaginem com mais 21 mil…

http://link.brightcove.com/services/link/bcpid429035700/bctid435027996

As fotos são de Thomas Dworzak, e o trabalho pode ser encontrado também em www.slate.com.

Bushismos…

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Ok, a ideia está longe de ser minha, mas não posso deixar de reproduzir esta pérola ‘bushista’, que permite ver de que é feito o líder da maior potência do mundo:

“Because of your work, children who once wanted to die are now preparing to live.”—speaking at the White House summit on malaria, Dec. 14, 2006

Fonte: (www.slate.com), secção “Bushism of the day”.

Iraque, Irão, Síria: “Se não consegues resolver um problema, alarga-o”

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(By Jack Higgins in http://cartoonbox.slate.com/hottopic/?image=7&topicid=47 )


Observando (atentamente) o que diziam os media digitais de hoje, fui parar a um artigo da revista Slate (www.slate.com) que chamou a atenção pela associação de 2 palavras, ‘war’ e ‘Iran’.

O artigo de Shmuel Rosner (http://www.slate.com/id/2157489/fr/flyout) tenta desmontar os soudbites da administração americana da última semana sobre a situação no Iraque e arredores. Ponto de partida: uma ideia de Rumsfeld (ex-Secretário da Defesa EUA) que parece estar a ser agora considerada pelo actual responsável da Defesa americana:

“SE NÃO CONSEGUES RESOLVER UM PROBLEMA, ALARGA-O”.

O que está em causa: o suposto (porque eu não tenho certeza dos fundamentos do mesmo) apoio do Irão à subversão e guerra civil no Iraque. De acordo com Shmuel Rosner, a lógica é: “SE NÃO CONSEGUES RESOLVER O PROBLEMA DO IRAQUE, ALARGA-O” – neste caso para o Irão e/ou a Síria.
O analista chega mesmo a avisar: “enquanto estamos a dormir, a guerra contra o Irão pode ter já começado”.

Será??

Alguns factos:

1. Na semana passada, quando Bush anunciou o envio de mais tropas americanas para o Iraque (indo assim numa direcção oposta à orientação do Relatório Baker), aproveitou para lançar farpas aos vizinhos das terras babilônicas, avisando-os de que “é necessário estabilizar o desafio extremista na região, começando pelo Irão e pela Síria”.

2. Na última 5ª feira, de acordo com a Slate, a força aérea americana bombardeou alvos iranianos em Irbil (Iraque), e deteve 5 oficiais do Irão.

3. Também na semana passada Bush enviou mais uma força aérea e naval para a região do Golfo.

Ora, em Washington, segundo o artigo de Rosner, já começaram as comparações entre Vietname/Cambodja e Iraque/Irão. Nos anos 70 o Cambodja foi invadido pelos EUA por ser ponto de apoio material e ideológico à insurreição vietnamita. Ao que parece, para a administração Bush o Irão está a prestar o mesmo papel no caso do Iraque (o que deve ter um fundo de verdade).

Mas a análise de Rosner deixa perceber que esse é um argumento falacioso. Uma possível invasão ao Irão não seria APENAS pela desestabilização que provoca em solo iraquiano. Caso os EUA invadam o Irão, será para impedir que este desenvolva o seu programa nuclear e domine aquela região. A Administração Bush usa um argumento para justificar uma situação completamente diferente… mais uma vez.

Já há nas elites políticas americanas quem coloque a seguinte questão: “SERÁ QUE ESTE TEMPO TODO O IRAQUE FOI UMA QUESTÃO SECUNDÁRIA, E O QUE ESTÁ MESMO EM CAUSA É O IRÃO?”

A Secretária de Estado americana, Condi Rice, já avisou que “os EUA não vão tolerar actividades contra interesses americanos ou que desestabilizem o Iraque”. O aviso está lançado ao Irão e à Síria. A escalada retórica já começou – pelos vistos – há muito tempo, e dos dois lados. Bush vai aumentar a força militar na região, e no Iraque a guerra civil não parece ter fim à vista. Todos sabem da ligação Hezbollah – Irão, e para este eixo há todo o interesse em que a situação iraquiana se deteriore cada vez mais. Até do lado israelita (eterno aliado dos EUA) há já analogias com a época nazi: Benjamin Netanyahu já comparou o Irão à Alemanha de Hitler em termos de tentativa de armamento e expansão de território.

De todos os lados surgem posições extremadas, que de nada servem para resolver este enorme problema. O que ainda não vimos foi a posição de facto da União Europeia. Talvez esta fosse a oportunidade de a UE não só falar, mas acima de tudo agir, afirmando assim o seu papel enquanto protagonista de umas Relações Internacionais cada vez mais estranhas, num mundo em que os soundbites tentam mostrar uma política que está longe de ser a que de facto se desenrola nos bastidores.

É caso para eu perguntar a mim mesma onde anda a União Europeia no Diplomacia Internacional?!

Fotos da visita de Cavaco à Índia

Não sou de fazer publicidade grátis a blogs, mas acho que estas fotos merecem destaque. Passem em http://instantefatal.blogspot.com e espreitem algumas das imagens capturadas pelo fotojornalista Luiz Carvalho na Índia. Mais do que a cobertura política, as fotos do que é hoje a Índia falam, gritam, provocam… Destaque para as fotos dos dias 10 e 12… Vejam lá se o fotojornalismo não é uma arte sobre o cru da realidade…

Fundos Europeus… para que vos quero???

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Acabo de chegar do Seminário de Estudos Europeus, onde discutimos a Política Agrícola Comum (PAC) da UE. O orador da noite, Raul Jorge, explicou como funciona a PAC, uma das políticas-base da UE desde a sua fundação.

Às tantas, alguém pergunta porque é que Portugal – que já beneficiou muito com a PAC e teve inclusive direito a uma PAC ‘especial’ (um programa de desenvolvimento da agricultura portuguesa que vigorou nos primeiros anos de adesão ao clube europeu) – ainda não tem uma agricultura forte e competitiva, que pese de modo mais significativo na economina nacional. A explicação de Raul Jorge foi simples: tudo o que foi recebido foi aplicado de forma errada (não, não estou a falar das auto-estradas)… O dinheiro foi investido em sectores agrícolas que não são rentáveis para o país, ou porque não têm forte exportação (ou consumo interno) ou porque a sua produção não é adequada ao solo / clima portugueses, ou seja, acabam por ser um fracasso.

Não pude deixar de fazer um paralelismo com outros Fundos Europeus que visam o desenvolvimento dos seus estados-membros, neste caso de Portugal. A UE anda a dar uns dinheiros a umas instituições para o desenvolvimento regional, através da formação em áreas de grande saída hoje em dia, como sejam as Novas Tecnlogias. Mas apesar da dedicação daqueles que estão a beneficiar dessa formação, e do esforço dos formadores, parece que essas instituições não estão muito preocupadas nem com a qualidade nem com a seriedade e compromisso que assumem. Primeiro porque arranjam formandos que são muito pouco interessados em aprender o que quer que seja, o que acaba por atrapalhar quem está lá a sério. Depois porque faz exigências ‘laborais’ em troca de remunerações que são atrasadas dias, semanas e meses a fio, como se as contas aceitassem ser pagas só quando se recebe aquilo que se é devido…

Conclusão desta história: parece que, como dizia um amigo meu hoje, é por isso que Portugal não vai pra frente. Sejam fundos de formação para o desenvolvimento regional, sejam PAC’s especiais, os investimentos nunca são bem feitos ou, quando o são, vão para uma data de gente que não quer contribuir com nada para além dos seus próprios bolsos… e ainda atrapalham os outros que se interessam minimamante pelas coisas…

20 anos de Clube Europeu, milhões de euros de investimento depois… parece que o problema é mesmo – como muitos já constataram – o das mentalidades. Essas… acho que não há PAC’s, fundos de desenvolvimento regional/social, políticas de mobilidade ou de ambiente que mudem… Mudar mentalidades, só mesmo quando a maioria reconhecer que se essa não for mudada… seremos os últimos da Europa daqui há uns anos em tudo, bem atrás da Bulgária e da Roménia, nossos novos vizinhos.

A morte de Saddam

saddam.jpgSaddam Hussein foi enforcado na madrugada do dia 31/12/06. Não é novidade… Os media já especulavam dias antes sobre a data do cumprimento da pena de morte do ex-ditador, e já se sabia (quase uma questão de lógica) que não havia recurso possível que o salvasse… ou não estivessemos a tratar de uma questão quase de honra para os EUA e para o governo iraquiano fantoche que anda pelas terras da antiga Babilónia…

Não posso deixar de expressar duas coisas:

1. Sou contra a pena de morte em qualquer caso – inclusive quando se trata de um dos piores ditadores dos últimos tempos. Defendo antes a prisão perpétua, porque isso sim leva o indivíduo a pagar pelos erros que cometeu, já que (na minha opinião) não há castigo pior do que ter de suportar a nossa própria consciência privados de qualquer liberdade que a alivie nem que seja por alguns instantes. Saddam merecia a morte, mas isso para ele foi até muito bom, livrou-o de uma vez de outros julgamentos que ainda iria enfrentar e não vai ter mais de pensar nos erros maléficos que cometeu enquanto ditador.

2. A morte de Saddam Hussein foi teatral, pelo que descreveram os media. Não pela morte em si, mas pelos momentos antes, em que o ex-ditador levou um Corão e apelou à união dos iraquianos. Para a maioria ele vai ser sempre ‘o ditador’, mas há que reconhecer que até ao último momento Saddam tentou ser um herói, um mártir… Esperemos que essa tentativa seja falhada, e que a previsão de que a sua morte iria eliminar de vez as franjas apoiantes do antigo regime esteja certa. Foi nisso que os EUA apostaram, de acordo com alguns analistas. Agora que não há bode espiatório, a ver se o tiro não lhes sai pela culatra…

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